A Game of Thrones

… De repente você percebe que está lendo uma história muito boa, das melhores do mundo. Foi assim comigo, quando avançava na leitura de Game Of Thrones, primeiro livro da série Uma canção do fogo e gelo, adaptada para TV pela HBO. Escrita por George R. R. Martin, conhecido (até agora) aqui no Brasil pela adaptação em quadrinhos da série Cartas Selvagens (Lançada pela Editora Globo), e também para adaptação dessa para RPG, (que vinha de brinde no GURPS SUPERS, da Editora Devir), cada Livro vai ser adaptado como uma Temporada. Para apresentar a série a vocês, convidamos a Ana Carolina Silveira, blogueira, escritora, advogada, dona do Leitura Escrita, onde esse texto foi escrito primeiro, é, principal responsável por fazer um monte de gente ler o GRRM (e eu tô no meio disso) antes dele ficar na moda. Aproveitem, estão em boas mãos.

[–Já resenhamos a série, anteriormente. Já reclamamos da tradução e reconhecemos que os problemas foram corrigidos. Então como não falar agora, do fator do hype que com certeza fará A Song of Ice and Fire (ou Crônicas de Gelo e Fogo, como preferirem) ser abraçada de vez pela cultura pop mundial?

Hoje, 17/04, é a data de estreia do seriado Game of Thrones na HBO dos Estados Unidos, a matriz (aqui no Brasil, vai estreiar na data prevista pra HBO América Latina, 08/05). A série anda sendo prometida como “o Senhor dos Anéis das séries de TV”, e acredito que vai chegar bem perto disso. Vamos falar um pouquinho sobre o que sabemos, já que a série demora um pouco para chegar aqui e esse é só o aquecimento.

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Isto não é TV, isto é HBO.

Os seriados de TV ganharem em qualidade e importância foi um fenômeno surgido nos anos 2000. Claro que houveram várias e várias séries antes disso, como Star Trek ou Arquivo X (ou Friends, ER e Seinfield para ficar no lado mais “mainstream”), mas na indústria audiovisual americana, as produções para TV eram uma espécie de “primo pobre”, que só começaram a atrair bons produtores, diretores, atores e visibilidades por essa década.

Um pouco deste novo prestígio se deve à própria HBO e suas séries com produção caprichadíssima, como Band of Brothers ou Rome – e também a fenômenos midiáticos como Lost ou 24 Horas. Então, pouco a pouco as produções para TV começaram a ter o prestígio dos filmes, atrair atores conhecidos e diretores de Hollywood. E, claro, a atrair audiência, crítica e fanbase.

As séries da HBO são conhecidas pela qualidade – e é também uma emissora PAGA nos EUA, então, ao contrário da TV aberta que tem de se preocupar mais com audiência e censura (no sentido “o que os pais querem que seus filhos vejam na TV”), o leque temático pode se abrir quase infinitamente, assim como a abordagem de temas como sexo e violência. E, graças ao cuidado com a produção, pérolas como Band of Brothers, Rome, Deadwood, The Sopranos, Six Feet Under, The Pacific…

E temos talvez o melhor antecedente para Game of Thrones: True Blood. A série, adaptação da série de livros Os Vampiros do Sul, de Charlaine Harris, que veio bem no hype vampiresco alimentado por Crepúsculo, traz vampiros com tudo aquilo que permeia suas histórias: sexo – muuuuito sexo -, violência, questionamentos éticos, questionamentos religiosos. Tudo isso com uma produção bem legal, efeitos especiais que não são defeitos especiais, bons atores e principalmente uma temática fantástica. Feito para o merecido sucesso e hype que a série tem hoje. E feito também para demonstrar que uma série obviamente fantástica pode, sim, agregar público, fãs e principalmente retorno financeiro.

Não havia outra emissora para adaptar Game of Thrones senão a HBO. É uma série repleta de personagens complexos, sexo, violência, cenários diferentes e uma fantasia tão sutil que defeitos especiais estragariam tudo (e estou MUITO. CURIOSA. para saber como vão fazer no último capítulo da série – apesar de que fiquei bem feliz com o resultado dos wights e Others no teaser já divulgado, que vocês verão abaixo).

“O Senhor dos Anéis dos seriados”

Voltamos também ao filme do Senhor dos Anéis – que, na minha opinião, TAMBÉM foi um dos pontos fortes da fantasia estar tão forte hoje como gênero.

Sobre o livro, já se disse tanto, mas basta saber que é um dos grandes clássicos da literatura mundial produzidos no século XX. É um paradigma da literatura moderna, uma pedra de apoio que sintetizou vários dos que vieram antes dele e influenciou quase todos os que vieram depois.

A primeira adaptação cinematográfica data da década de 1960 e foi um desastre, talvez por tentar sintetizar o conteúdo de três livros em duas horas – tarefa impossível. Veio então o projeto de Peter Jackson, visto com um misto de curiosidade, expectativa e descrença, e a trilogia que revolucionou também o cinema. De que outra forma Senhor dos Anéis seria adaptável senão por um diretor/equipe de produção que respeitaram o original (ok, fizeram algumas concessões) e que conseguiram convencer o estúdio a não fazer um filme de duas horas, mas três filmes de quase 10?

E foi uma revolução, tanto para o cinema – efeitos especiais de primeiríssima, mesmo hoje ainda não estão muito datados, história bem conduzida e bem contada e principalmente uma bilheteria estrondosa – quanto também por demonstrar que um filme de fantasia poderia agradar ao público em geral.

O livro A Game of Thrones (ou melhor, a série A Song of Ice and Fire como um todo) já é uma espécie de “novo Senhor dos Anéis” (e como as pessoas interpretam mal essa afirmativa, volto a um post só sobre ela para explicar o que uma pessoa quer dizer quando diz isso) e a série, por todo seu cuidado de produção, tem o potencial de fazer o mesmo que a trilogia fez pelo cinema – audiência, hype, críticas positivas e a fantasia cada vez mais se tornando parte do mainstream. Essa é a expectativa criada, vamos ver se corresponde.

Produção e divulgação

A produção e divulgação da série foi caprichadíssima, por começar pelos produtores da série, veteranos de Hollywood, David Benioff e Dan Weiss (dentre outros, fizeram juntos Troia – errrrrm… ok, sei que não é o melhor dos exemplos, mas a cena dos mil navios é uma das poucas inesquecíveis do filme (se eu disser a outra a audiência masculina me enforca)), pelos produtores de elenco que escolheram muitos ótimos atores, como os veteranos Sean Bean e Peter Dinklage e os novatos Kit Harrington e Maisie Williams para papéis-chave, toda a questão de cenários, figurinos e adaptação para fazer do mundo de Westeros real.

Até tem a página de divulgação, Making Game of Thrones, que é simplesmente INCRÍVEL. Percam algumas horas vendo os vídeos de making-of, dá para ver todo o cuidado, até com os pequenos detalhes, para que tudo pareça real quando transportado para tela. Não tem como não se empolgar ao ver.

E o site em si é incrível, é colocar o fã que se importa com seus personagens e locações do coração em contato direto com a equipe que está transformando tudo em imagens. É ver como Westeros e seus habitantes podem se tornar reais diante de seus olhos.

Preview do primeiro episódio

E claro, como fã, estava esperando demais da série (ainda estou), mas com aquele medinho de estar jogando as expectativas muito para o alto. Então… Saiu o teaser de 15 minutos da série, que vocês podem ver abaixo (ou clicando aqui para qualidade melhor).

Tem alguma palavra a dizer???? Dia 08, chega rápido!!!!!!

Quando eu terminar de ver a temporada inteira, volto com resenha.

Mas o que posso dizer agora é: O INVERNO ESTÁ CHEGANDO!

EDIT: A HBO liberou a abertura no youtube!!!!!! Vejam, vejam se não arrepia!!!!!!

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Até a próxima! –]

Trecho entre [– –] publicado originalmente no Leitura Escrita

POR: Eduardo Daniel