[Review Séries] – Game of Thrones: Episódio 29 – The Rains of Castamere

Casamentos são festas particularmente interessantes: comida, bebida, a esperança de felicidade do casal que se une, os parentes bêbados dando vexame, enfim. Ou coisas muito piores. Se vocês achavam que a morte de Ned Stark era a pior e mais chocante coisa que poderia acontecer nessa série… bom, vocês não tinham visto nada ainda. Como disse um personagem, no melhor quote até o momento: “se você acha que isso terá um final feliz é porque não está prestando atenção”.

Bom, O Evento, O Spoiler, aconteceu no episódio de hoje. É o maior spoiler de toda a série – talvez porque seja algo que, apesar de previsível em retrospecto, seja algo que você não acredita que o autor terá coragem de fazer. Outras mortes ainda virão, claro, algumas chocantes pelo contexto, outras que são cliffhangers baratos, mas nenhuma, até o momento, tão impactante quanto esta. É quando parece que toda esperança se esvai (apesar de Westeros não ser um mundo onde mocinhos e bandidos ocupam posições fixas) e que a noite é escura e cheia de terrores. Mas antes disso vamos por campos um pouco mais alegres (?).

Para quem reclamou da ausência dos lobos (eu!), este episódio foi o que eles mais apareceram, mesmo que um deles apenas para fins trágicos. Lembrando que Fantasma continua passeando por aí de boa e deixando o Jon desguarnecido.

Walder Frey, a pessoa mais odiada de Westeros, apresenta suas filhas e netas liiiindas para Robb Stark e o desesperado Edmure, que deverá desposar uma das beldades. A cara dele é impagável e é a melhor intervenção humorística do episódio. Apesar de que os próximos personagens trouxeram boas gags entre eles.

Arya e Hound estão bem pertinho do casório e querem participar da festa, uma belíssima reunião de família onde todos estão felizes e um momento perfeito para o retorno da filha pródiga. Com direito a pé de porco defumado e um diálogo muito bom. “Conheço um assassino bem melhor do que você!” “É esse homem aí?” “Bom, não…”.

Enquanto isso, no norte (novamente um episódio de poucas linhas narrativas muito bem exploradas, mas já prevejo que a season finale vai ter só um clipezinho pra cada personagem e tá bom demais), Sam e Gilly chegam ao final de sua jornada. Acho interessante a dinâmica entre um rato de biblioteca e uma garota que sabe pouquíssimo do mundo. E ela o elogia da melhor maneira possível: “você parece um mago!”. Para alguém cujo sonho era ser mago… (e pros leitores: pra mim o Coldhands não tá fazendo falta nenhuma. Pelo contrário, é um personagem que pode ser eliminado sem dramas).

Os selvagens pretendem matar um homem inocente para roubar seus cavalos, mas Jon se opõe. Mais do que isso: dá seus pulos para que o pobre coitado consiga escapar. O que leva a todos diretamente para onde Bran está escondido com seus amigos, tendo alguns problemas com Hodor, todos perto demais uns dos outros sem saberem. Para mim é uma das cenas mais angustiantes do episódio (e olha que…): os irmãozinhos estão ALI, ao alcance da mão, mas Jon passará batido (bom, ele precisa salvar sua vida também). E pensa em Ygritte: ele a tira da luta para que ela não precise matar seu povo pelas escolhas do amante, por mais que ela chore e grite pela traição. Ele cumpriu sua tarefa e está livre – mas não sem perdas pessoais, claro, e com o deleite de matar o cara que desconfiou dele. “E quer saber duma coisa? Você tava certo o tempo todo”. A cada dia, mais Jon e menos Floquinho. Isso é bom.

E Bran, que vai aprimorando suas habilidades mágicas, sabe que estavam perto de Jon, mas que não foi dessa vez que se encontraram. E tomou a decisão sensata: mandar Rickon embora para um lugar mais seguro. Rickon esse, chamado por aí de a Meg Simpson de Westeros, que teve mais tempo de cena hoje do que nas últimas três temporadas juntas. Mas talvez seja uma despedida e nunca mais o vejamos, também :(

O prêmio de “sequência desnecessária da semana”, já que dá-lhe quebra de clima, vai para Dany e seus homens invadindo a próxima cidade, desta vez com bem menos resistência do que esperavam. Grey Worm foi quem mais me chamou a atenção em combate (o cara é bem bom!) e vemos ser Jorah, o Pedobear, afundando na lama da friendzone. Dane-se a cidade, kd Daario gatinho? E, meu amigo, um aviso: você não vai pegar.

E agora… a certeza do destino inevitável que um dia nos chama a pagar pelos nossos erros. É hora de pagar o preço pelos pecados – libertar Jaime Lannister, matar alguns aliados, ter rompido a aliança com os Frey por uma moça bonita, ter como vassalo um dos homens mais ambiciosos e maquiavélicos de Westeros. Tudo vai bem, Edmure tem uma noiva bonita, até tio Blackfish está feliz (e vai dar um mijão que lhe salva a vida), ambos são escoltados até o leito nupcial, as portas são fechadas e… A banda toca a música-tema dos inimigos. Catelyn percebe que há algo de errado. Olha para Roose Bolton ao seu lado, que está de armadura. Há algo de MUITO errado e ela percebe tudo quando é tarde demais.

A primeira vítima é Talisa, que pouco antes dizia a Robb que o bebê teria o nome do avô Stark. E a morte dela é a mais pertubadora de todas, apunhalada no ventre e sem reagir. Então não faz mais diferença quem ela era ou o que ela era, pois morreu junto do marido, então se era uma espiã o trabalho foi tão bem-feito que resolveram matá-la junto para não terem de pagar pelos serviços – e correr o risco de um filhotinho Stark por aí. É a senha para a matança generalizada.

Sobra até para o pobre Grey Wind, em sua casinha, tendo Arya como testemunha de seu último suspiro. Tão perto, tão quase, mas ela não se reuniu com sua família e agora isso não será possível nunca mais. Testemunhar a morte do pai, presenciar a morte da mãe, ver o arremedo de mundo que tinha desabar. Mas pelo menos ela está viva e com alguém que não lhe fará mal.

De volta ao salão, Catelyn também vê seu mundo desabar: os quatro filhos perdidos, o marido assassinado e agora o filho ameaçado. Em desespero, ela reage, mas em vão. Em desespero, ela vê o sangue do filho pelo chão, cortesia dos Lannister. Em desespero, ela é morta. E então, silêncio.

Como disse, não era um desfecho imprevisível, Robb cometeu erros cruciais para quem tinha pretensões maiores de poder. Invadir Casterly Rock também nunca foi exatamente uma boa ideia – mas desprezar aliados, como os Frey, como os Karstark, não era uma decisão muito melhor. Ser um idealista que se casa por amor, irreal para sua classe social e educação. Amor é para as classes baixas, não para um nobre que vende sua descendência ao aliado mais conveniente. Se ocorrer no casamento arranjado, ótimo, mas não é o que se espera. Amor é para as alcovas secretas, não para o trono. Infelizmente um preço precisa ser pago – e não é nada barato. Claro, houve outros erros essenciais – mandar Theon em missão diplomática, desagradar os Karstark e rachar a própria aliança – mas Robb Stark errou no básico, fazendo-o um péssimo concorrente ao Trono de Ferro. E fim. Fim do Jovem Lobo, melancólico, cruel, mas de maneira alguma imerecido. Os Stark saem definitivamente do tabuleiro – e agora, quem é o concorrente mais forte?

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Até a próxima, com emoções menos fortes, espero!