[Review Séries] – Game of Thrones: Episódio 30 – Mhysa (HBO)

Então é o que temos para este ano. Último episódio, última resenha (snif!) e longos dez meses de ausência de Westeros, até a próxima temporada. Vamos então à nossa esperada season finale!

Ao contrário das temporadas anteriores, não foi um final apoteótico. Aliás: a apoteose do episódio, para não dizer da série, ocorreu no episódio passado e NADA que fosse apresentado hoje chegaria sequer aos pés. Pensando assim, realmente fica dificil querer subir mais um degrau e explodir tudo hoje…. (apesar de que, pessoalmente, faria o Red Wedding no oitavo episódio e hoje terminaria tudo com outro casamento…). Foi um episódio parado? Sim. Mas como temos contratos e escalas, a hora de parar era mesmo essa.

Por outro lado, esperava que o episódio de hoje, com tanta gente para rever, fosse apenas um videoclipe rápido para cada um, mas até que alguns personagens ganharam mais tempo de cena do que o esperado. Outros simplesmente sumiram e agora só ano que vem (como os Tyrell).

Depois de um casamento sangrento, o caos e desordem se propagam pelo castelo dos Frey e há lugar para pouca ou nenhuma sanidade, com direito à icônica cena do Rei Lobo passeando por onde estão os corpos de seus soldados mortos. E Arya, a pobre Arya, vê tudo isso enquanto escapa pela vida. Acabou, ela não tem mais uma família para quem voltar e mais do que isso: ela foi testemunha de todo o massacre. Agora é agradecer por estar viva e seguir em frente, talvez encontrar o Jon na Muralha, mas é isso. Uma grande ferocidade e também uma pena.

Ainda sob os escombros do casamento, Walder Frey, a pessoa mais odiada de Westeros, está lá para vangloriar-se de seu feito (não sem antes sermos lembrados de que um dos maiores pecados locais, punido pelos deuses da pior maneira, é o desrespeito às regras de hospitalidade) com o novo vilão, Roose Bolton. Aliás, está bem claro que tivemos a apresentação suave dos novos vilões nessa temporada, já que ele e seu filho são os piores dos piores. Também é revelada a identidade de quem estava torturando Theon esse tempo todo: Ramsay Snow, seu bastardo, maluco de jogar pedra (e com cara de maluco em toda a cena em que aparece). É uma cena grotesca e perturbadora sua interação com uma fálica linguiça, mas coerente com o momento e com os personagens, é aquele incômodo necessário. E Theon está pagando com juros do cheque especial e correção monetária por todos os seus crimes, inclusive sendo a partir de agora privado de seu nome. Para mim tinha um jeito de tornar a cena ainda pior: Ramsay contar a ele, com seu jeitinho carinhoso, que Robb foi morto pelo seu pai. E que é tudo culpa dele.

Já que estão casados mesmo, Sansa e Tyrion tentam ser legais um com o outro, com resultados expressivos. Ela consegue relaxar um pouco e, quem sabe, ver no marido uma pessoa com quem possa se abrir e falar sobre si mesma, até que… más notícias chegam. E todo o esforço de serem ao menos gentis cai por terra. A última cena é silenciosa, mas levando em consideração tudo o que ela viveu e vive nas mãos dos Lannister, os pensamentos estão bem óbvios. Vocês mataram minha família. E a possibilidade de uma convivência amistosa é destruída para sempre.

Ainda lá, em uma conversa emotiva, Shae revela a Varys a dificuldade de sua situação: ela sabe quem é e ama Tyrion, mas também ama Sansa – e vê-los casados é algo muito doloroso. Ele a lembra que não há espaço para alguém como ela tornar-se “família” e lhe oferece dinheiro para ir embora, mas ela recusa. Que Tyrion a dispense pessoalmente, então, se esse for o desejo dele.

Enquanto isso os Lannisters colhem os frutos de sua vitória, não sem antes Joffrey repetir o tempo todo que é o rei e Tywin pontuar que o homem que precisa repetir o tempo todo que é o rei na verdade não tem poder nenhum. E Joffinho responde e Tywin o manda ir dormir sem jantar – apesar de que eu preferia um milhão de vezes que Tywin lhe desse um tapa na cara, essas imagens lindas para fazer gifs que percorrem a internet. E ele se justifica sobre o Red Wedding: ele fez pela família e a casa que pensa na família vai mais adiante do que aquela que se curva aos caprichos individuais de seus filhos. E que ele já se sacrificou pela família: deixar um filho que o envergonha por ser fisicamente deformado (se há preconceito contra a deficiência hoje em dia, imaginem em épocas medievais) sobreviver e crescer. É, o tapão na cara do episódio foi esse, definitivamente.

Enquanto Tyrion se embebeda já que o dia está sendo uma merda, Cersei conversa com ele para lhe dizer palavras boas. Aliás, gosto MUITO da dinâmica dos personagens no seriado – ao contrário da relação ódio-ódio dos livros, temos uma amor-ódio. Eles se odeiam normalmente, mas rola uma consideração mútua nos momentos ruins. E ela diz que a única coisa que a impediu de suicidar-se foram os filhos e que ama Joffrey mesmo sabendo o que ele é. E que talvez fosse uma boa ideia fazer Sansa ter um bebê para que ela se alegre também.

Mas Cersei foi recompensada, pois Jaime voltou. Mudado – e não apenas porque está faltando um pedaço…

Por falar em “faltando um pedaço”, no meu tempo mandavam orelhas dos sequestrados para suas famílias, mas Ramsay elevou isso a um novo patamar. Não que Balon Greyjoy nutra muito amor pelo filho, muito menos agora que não pode mais dar prosseguimento à linhagem, mas AshaYara resolve que vai, sim, atrás do irmão, custe o que custar. Mas só ano que vem saberemos os resultados.

Sobre irmãos, Bran conta histórias de terror no escuro e espera que ninguém entre em desespero quando ouvem barulhos estranhos e uma pessoa saindo de um poço. Só que essa pessoa calha de ser Sam, que o reconhece. Ele afirma que está indo para o Norte enfrentar os terrores que Sam viu e combateu. Com alguma relutância do corvo, ele e seus amigos partem, enquanto Sam finalmente volta para Castle Black contar as últimas notícias para o mundo.

Claro que ele não é o único a voltar: Jon Snow teve alguns percalços no fim de seu relacionamento (e nessa temporada o achei bem mais expressivo do que nas anteriores), tomou frechada da ex e está voltando física e emocionalmente um caco para casa. Aguardemos. (e, enquanto isso, o que foi feito dos Patrulheiros que sobreviveram ao motim na casa do Craster? Se perderam pelo caminho?).

E entramos no que, para mim, foi o melhor do episódio em termos de atuação, história e adições: Davos e sua interação tanto com Gendry – há algo em comum entre os dois e ele não compactua com o que está acontecendo com o rapaz – e com Stannis e Melisandre, convencendo que ele vale muito mais vivo do que morto. Foi bom ver a Shireen mais um pouquinho, bem como saber que teremos grandes mudanças para a próxima temporada, com algumas pessoas fazendo turismo e mudando de lugar em Westeros. E muita atenção para a cena em específico: o amanhecer ao fundo tem muito a ver com tudo o que se passa e com a batalha que se encaminha…

E Dany, a conquistadora branca que liberta os pardos oprimidos, continua sua jornada de libertação de cidades mais uma vez. Uma cena visualmente bonita, mas a trama dela começa a ficar enjoatiiiiiva… Foi mais ou menos nesse ponto em que me cansei dela nos livros, é bom pontuar…

Enfim, essa é a última resenha, na soma geral o último episódio foi bem interessante e há uma longa espera até ano que vem para a próxima temporada (chuif!) (bom, tem outras séries que podem ser vistas até lá, como True Blood que inclusive tá estreando na HBO no lugar de Game of Thrones, The Walking Dead e muitas outras de temática não-fantástica). Mas ainda temos assuntos a tratar: o próximo post será um fechamento da série, com algumas palavras sobre os acontecimentos globalmente considerados e alguns outros assuntos relativos que ficariam fora de lugar em resenha. Aguardem!

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Até a próxima!