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[REVIEW FILME] – Jogos Vorazes: Em Chamas

Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire). EUA, 2013, 2h 26 min. Direção: Francis Lawrence. Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Sam Claflin, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Jena Malone, Jeffrey Wright, Amanda Plummer, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman. Aventura. Paris Filmes.

 

Trágica narrativa intensifica inevitável ansiedade pelo próximo episódio

Drama, este é o principal elemento narrativo que envolve toda a saga Jogos Vorazes, obra que não vê obstáculos em atravessar a fronteira da literatura, munida de seu arco e flecha de palavras inflamadas, para alcançar este imenso campo verdejante de sons e imagens, o Cinema, e percorrer prazerosamente por sua relva de sensações. E este drama tem despertado o interesse de um público formado, em sua grande maioria, por jovens e adolescentes, muitos do quais já eram fãs da série literária. Outros são atraídos pelos ‘tributos’, ou seja, os competidores do torneio, interpretados por moças e rapazes esbeltos o suficiente para despertarem suspiros gerais na plateia.  Contudo, grande parte desses espectadores tem plena consciência da complexidade e dos valores sócio-políticos incutidos na trama, ambientada em um futuro pós-apocalíptico, regido por um sistema opressor que conduz o povo por meio da espetacularização do próprio regime, intercalada por açoites morais e apreensão de quaisquer conceitos subversivos. Há de ser observada, ainda, uma parcela do público que, exatamente como acontece no próprio filme, está interessada apenas no ‘espetáculo’, para os quais as chamas da revolução iminente, bem como todos os valores libertários que ela representa, podem passar quase despercebidas, como um grafite pintado no muro visto da janela de um trem em alta velocidade. Mas o pano de fundo de Jogos Vorazes: Em Chamas, disponível em Blu-ray e DVD, se mostra muito mais interessante do que os próprios jogos. O grande trunfo da série não é a competição em si, mas suas premissas, suas implicações e suas consequências incendiárias.

Katniss (Jennifer Lawrence, que conheceu O Lado Bom da Vida ao ganhar o Oscar em 2013) e Peeta (Josh Hutcherson), após terem formado um ‘casal feliz’ e vencido a última edição dos Jogos Vorazes, são ‘convocados’ pelo Governo para percorrerem toda a nação de Panem como forma de propagar a ‘esperança’ nos 12 distritos. O que eles veem, no entanto, são protestos e levantes cada vez maiores e mais intensos, o que causa uma enorme preocupação no Presidente Snow (o veterano Donald Sutherland, pai do “Agente Jack Bauer” Kieffer Sutherland), que teme pelo surgimento de uma rebelião, uma resistência que faça frente a seu regime ditatorial. Incomodado também com a crescente popularidade da idealista Katniss, e a ameaça que ela pode representar para o Governo, ele tem a sádica ideia de convocar tributos de cada distrito que já venceram as edições anteriores dos Jogos Vorazes, para lutarem novamente no Massacre Quaternário, em ‘comemoração’ aos 75 anos de existência da competição anual. Podemos sentir a angústia de Katniss ao saber que terá que voltar à arena, dor compartilhada com seu verdadeiro amor, Gale (Liam Hemsworth, irmão do “Thor” Chris Hemsworth). A atmosfera trágica percorre todo o longa, como uma névoa tenebrosa que em pouco tempo infesta um matagal inteiro, não deixando brechas para fuga.

Desde o início deste segundo filme da série revemos os carismáticos rostos familiares do longa anterior, e somam-se a eles personagens importantes – como o novo chefe de operações dos jogos (vivido pelo também oscarizado Philip Seymour Hoffman, que veio a falecer no início deste ano), de decisiva participação na trama – que contribuem para incendiar ainda mais a tensa sucessão de acontecimentos. O grupo de participantes desta edição do torneio, formado (quase) totalmente por jovens, reúne talentos físicos e estratégicos, alguns dos quais se tornam grandes aliados de Katniss e Peeta, em meio a tantos perigos dentro da redoma. “Lembre-se de quem é o inimigo!”, diz a certa altura determinado personagem, o que só contribui para aumentar ainda mais a nossa desconfiança a respeito de suas reais intenções. Alguns desses competidores também exercem importância fundamental para o desfecho do capítulo, ganhando a simpatia do público. Mas Jennifer Lawrence reina absoluta como protagonista, vivendo, com todo o seu esplendor, talento e carisma, a angustiada e rebelde heroína.

A produção deste segundo filme o dimensiona a um nível visual muito mais ambicioso do que o anterior (basta reparar nos figurinos), visto o grande orçamento que desta vez a equipe teve à disposição (US$ 140 milhões, ante os US$ 80 milhões do primeiro), consequência direta do sucesso arrebatador obtido nas salas de exibição do mundo inteiro em 2012 quando a franquia foi iniciada, sob a direção de Gary Ross, e arrecadou cerca de US$ 600 milhões. O diretor austríaco Francis Lawrence (que não tem nenhum parentesco com Jennifer), cujas obras incluem os sucessos Constantine (2005) e Eu Sou A Lenda (2007), assumiu a série a partir deste segundo filme, e aceitou o convite para permanecer na condução dos próximos dois longas, para alegria de elenco e equipe, e para deleite dos fãs, que aprovaram a medida com que foi servida a dose agridoce de aventura, romance, traições e reviravoltas, regadas, volto a dizer, a muito drama.

Se a ‘embalagem’ da saga Jogos Vorazes é composta por um torneio mortal entre jovens esbeltos, seu ‘recheio’ é ricamente preenchido com intrigas políticas, opressão, tirania, espetacularização, revoltas, superação. O público, portanto, é brindado nesta saga por um cardápio de emoções, que formam uma trágica narrativa na qual acompanhamos as angústias e os anseios de uma destemida e impetuosa heroína, Katniss Everdeen. Suas expressões nos permitem compartilhar de suas dores, mas suas atitudes traduzem a esperança de que um dia o céu de opressões se quebre, e da brecha que ficou aberta surjam as chamas de uma nova era, representadas por um tordo (espécie de pássaro) incandescente anunciando que uma resistência começa a se formar e uma revolução está a caminho.

 É importante que se diga que, para uma compreensão plena da trama, se faz necessário ter acompanhado a 74ª edição dos Jogos Vorazes, mostrada, obviamente, no primeiro longa. Dito isso, não se surpreenda com o final brusco, que deixa a história completamente em aberto, no melhor estilo O Império Contra-Ataca ou Matrix Reloaded. A muito bem sucedida franquia literária escrita por Suzanne Collins, publicada em 2008, 2009 e 2010, terá seu terceiro e derradeiro volume dividido em duas partes na transposição para o cinema, a serem lançados no fim deste ano e do ano que vem. Ao final de Jogos Vorazes: Em Chamas, diante do que presenciamos, a ansiedade pelo próximo episódio torna-se inevitável, e não há dúvidas de que muitos relógios ao redor do planeta batem freneticamente, em contagem regressiva, formando um ininterrupto ‘tic-tac’ que só será acalentado a partir do dia 20 de Novembro, quando Jogos Vorazes: Esperança – Parte 1 estiver ao alcance de nossos olhos, nas telas do cinema.

 

Veja o trailer do filme: