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[REVIEW FILME] – CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

Capitão América: Guerra Civil (Capitain America: Civil War). EUA, 2016, 2h28min. Direção: Anthony Russo e Joe Russo. Com: Chris Evans, Robert Downey, Jr., Sebastian Stan, Scarlett Johansson, Anthony Mackie, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Don Cheadle, Jeremy Renner, Paul Rudd, Chadwick Boseman, Tom Holland, Emily VanCamp, Daniel Bruhl, Frank Grillo, Martin Freeman, William Hurt, Marisa Tomei. Ação. Marvel Studios.

Marvel realiza seu filme mais intimista, focado no conflito entre Rogers e Stark

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De que lado você está? Sim, você já leu esta pergunta antes. Contudo, naquela ocasião, além da torcida pelo seu herói favorito, o público acabou assumindo lados opostos em relação ao próprio filme, que teve tanto admiradores quanto detratores. Com Capitão América: Guerra Civil, porém, a história é diferente, literalmente. Embora as duas produções tracem variações sobre um mesmo tema, cada um tem o seu tom. Neste longa que abre a Fase 3 da Marvel na telona, a famosa pergunta não deverá se aplicar à sua aprovação, que parece garantida, e sim à escolha do lado para o qual torcer. Essa escolha, entretanto, se mostrará muito mais complexa, depois que se conhecem os motivos e as argumentações de cada uma das partes.

Marvel's Captain America: Civil War L to R: Black Widow/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), Vision (Paul Bettany) and Wanda Maximoff/Scarlet Witch (Elizabeth Olsen). Photo Credit: Film Frame © Marvel 2016

Por onde os Vingadores passam, deixam destruição, ainda que involuntariamente. O governo americano (sempre ele), juntamente com as maiores lideranças mundiais, querem dar um basta nisso e ‘propõem’ ao grupo regras nas quais eles passariam a agir sob a supervisão (controle) da ONU. Tony Stark, o Homem de Ferro, diante dos fatos, apresenta uma surpreendente maturidade, revendo seu próprio histórico armamentista, e sentindo o peso de tantas mortes recaindo sobre seus ombros ao longo de todos esses anos. Ele concorda. Em contrapartida, Steve Rogers, o Capitão América, apresenta uma ainda mais surpreendente rebeldia, alicerçada por sua total perca de confiança no governo, em virtude dos acontecimentos recentes que vivenciou, regados a tantas mentiras, conspirações e traições. Ele discorda. Logo, há uma ruptura na equipe, e os demais membros assumem esse ou aquele lado, de acordo com suas próprias experiências de vida que os trouxeram até ali. Está armada, portanto, a arena para que se dê o tão aguardado confronto entre estes gladiadores modernos, (quase) todos plenamente convictos em relação às suas ideologias. Mas haveria um lado certo e um errado nessa história?

04O mérito maior de Capitão América: Guerra Civil vai para os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely. É empolgante acompanhar uma narrativa em que tudo se encaixa, mesmo havendo tantos personagens em cena. Todos têm algo pertinente a acrescentar, cada qual no seu momento de brilho. Vale lembrar que um conhecimento prévio adquirido ao longo dos filmes anteriores torna-se imprescindível para que compreendamos plenamente a psicologia de cada um. Além dos 12 super-heróis, ou ‘aprimorados’, como eles dizem, o roteiro ainda achou espaço para incluir participações de outros personagens famosos do Universo Marvel, entre eles alguns vilões muito conhecidos pelos fãs. Mas há, sim, um antagonista principal na trama, o Barão Zemo (vivido por Daniel Bruhl) que, apesar de sua discrição, agindo nos bastidores, se mostra fundamental no jogo das articulações em que segredos mórbidos do passado são desenterrados e revelados, tornando o conflito entre Stark e Rogers muito mais pessoal. O Soldado Invernal, ou Bucky (Sebastian Stan), o amigo vítima de lavagem cerebral do qual o Capitão não abre mão, é outra peça-chave neste tabuleiro que ainda inclui os estreantes Pantera Negra, ou T’Challa (Chadwick Boseman), o solene rei do país fictício Wakanda, e o novíssimo e divertidíssimo Homem-Aranha, o Peter Parker mais jovem e entusiasmado do cinema (Tom Holland, promissor), estes dois muito bem apresentados, de forma concisa, porém, precisa. Isso é que é roteiro!

05Após o sensacional thriller de espionagem repleto de reviravoltas que foi Capitão América 2 – O Soldado Invernal, a Marvel se superou com este terceiro longa do vingador que pode ser considerado o filme mais sério do estúdio até agora, e essa constatação facilmente se reflete no elenco. Chris Evans continua a sustentar com extrema credibilidade o idealismo de Steve Rogers, enquanto que Robert Downey, Jr. traz uma abordagem nova para Tony Stark: seu egocentrismo continua lá, mas seus traumas do passado somados ao peso na consciência vêm à tona, tornando-o muito mais cabisbaixo e apreensivo, e deixando os melhores momentos cômicos a cargo do já citado Homem-Aranha em sua rápida passagem pelo longa, e do Homem-Formiga (Paul Rudd), este sim faz uma enorme participação!  Em meio à tensa narrativa, o humor surge em momentos certeiros, de forma a não nos desviar da seriedade da trama principal, decisão que também tem se mostrado bem sucedida na maioria dos demais filmes da Marvel Studios. Eles têm a ‘fórmula’!

06Assim como a dupla de roteiristas, os diretores Anthony e Joe Russo, após terem conduzido o formidável segundo filme solo do Capitão, continuam acertando o timing, acrescentando ainda, de forma inteligente, alguns momentos de calmaria e silêncio que valorizam o suspense, e que inevitavelmente vão levar a uma sequência explosiva, ou a uma perseguição sobre rodas ou aérea, ou ainda a um confronto corpo a corpo entre os envolvidos. As lutas (e elas são muitas) estão extremamente bem coreografadas, sob uma fotografia à luz do dia que ajuda a ressaltar o lado humano de (quase) todos os super-heróis envolvidos nessa contenda e, com isso, aproximando-os ainda mais do público, que pode facilmente se identificar com seus dilemas. Por mais espetaculares que sejam as batalhas (e são elas que, obviamente, justificam a existência do filme), é este maravilhoso roteiro – por meio do qual entendemos tão bem as motivações de cada personagem – que nos dá o entusiasmo de querer acompanhar os rumos tomados pela história em direção ao seu dramático e decisivo desfecho.

Marvel's Captain America: Civil War L to R: Iron Man/Tony Stark (Robert Downey Jr.) and War Machine/James Rhodes (Don Cheadle) Photo Credit: Film Frame © Marvel 2016

Descontando-se as inevitáveis adaptações que se fazem necessárias, a famosa HQ Guerra Civil, escrita por Mark Millar e lançada pela Marvel em 2006 está muito bem representada no cinema por este filme! Algumas cenas parecem ter sido ‘escaneadas’ diretamente dos quadrinhos, para delírio dos fãs. É importante ressaltar que, apesar de tanta gente brigando no longa, o maior conflito da narrativa é o psicológico – que já vem de longa data – entre Steve Rogers e Tony Stark. É essa triste perca de confiança mútua que torna a batalha final tão pessoal e intimista e, justamente por isso, tão intensa e climática.

08O futuro da Marvel Studios, pelo menos até 2020, está muito bem delineado, e tudo tem transcorrido perfeitamente, de acordo com os planos. O sucesso de toda essa empreitada não é por acaso. Os profissionais envolvidos, além de extremamente competentes, têm trabalhado com esmero, gostam do que fazem, e isso faz toda a diferença. O resultado se reflete na tela. Capitão América: Guerra Civil não só cumpre o prometido, como ainda nos deixa com aquela angustiante e ao mesmo tempo saborosa sensação de “quero mais”, na expectativa para os próximos episódios… e eles estão a caminho, para continuar a nos surpreender.

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Veja o trailer do filme: