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[REVIEW FILME] – ESQUADRÃO SUICIDA

Esquadrão Suicida (Suicide Squad). EUA, 2016, 2h 10min. Direção: David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Joel Kinnaman, Viola Davis, Jared Leto, Cara Delevingne, Jay Hernandez, Jai Courtney, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Karen Fukuhara, Adam Beach, Ben Affleck. Ação. Warner.

Filme com vilões da DC seria até divertido, se fizesse sentido

02Após as reações negativas a Batman Vs Superman – A Origem da Justiça, a atitude dos executivos da Warner, como sabemos, foi imediata: mudar o que estava sendo feito em Esquadrão Suicida, o filme que daria o passo seguinte na continuidade do Universo Estendido DC. Quase posso ouvir os produtores dizendo: “Não gostaram do tom sério que propusemos naquele outro longa? Preferem algo mais engraçadinho? Então, tomem!” É evidente que muito material mais denso ficou de fora dessa montagem final. A adição de filmagens de última hora para acrescentar humor, contudo, parece não ter sido suficiente para que atingissem o resultado almejado. Resta a dúvida: como teria ficado essa produção em sua concepção original? Talvez jamais saibamos. Da forma como está, Esquadrão Suicida se mostra um filme divertido até certo ponto, quando suas intempéries vêm à tona.

03O longa que nos traz o time de ‘super-vilões’ organizado pela durona agente do governo Amanda Waller (Viola Davis, em uma ótima interpretação, mais ameaçadora do que a de todos os membros do Esquadrão juntos) e conduzido, em campo, pelo Coronel Rick Flag (Joel Kinnaman, o Robocop de José Padilha) foi nitidamente picotado, mexido e remexido na edição, na tentativa de se encontrar com o seu público antenado. Para começar, como apresentar, em menos de meia-hora, uma dezena de personagens? Simples, com muito Rock Pop e letras garrafais, coloridas e animadas invadindo a tela para nos dar um falso entusiasmo com essa profusão de (belas) canções e cores que disfarçam a pressa do roteiro em se livrar das apresentações e partir para a ação, pulando de um problema a outro. A ação problemática, portanto, consiste na ‘equipe’ perambulando pelas ruas da fictícia Midway City em busca do que fazer, se esbarrando vez por outra com os patéticos capangas da misteriosa ‘grande ameaça mística’ que foram chamados para combater e, por fim, inevitavelmente, se deparando com a própria no desfecho. Confrontos medianos, em meio à costumeira pirotecnia, preenchem o ato final, em um roteiro desconexo, escrito às pressas pelo também diretor David Ayer (de Corações de Ferro), e que não sabemos se foi melhorado ou piorado ainda mais pelas interferências dos engravatados motivadas pelas apostas de lucro do estúdio.

04Como era de se esperar, o longa se concentra em alguns personagens mais do que em outros, e é natural que seja assim em uma ‘trama’ que aglomere uma dúzia deles. Este é um dos (poucos) quesitos nos quais acertaram, ao darem maior espaço ao Pistoleiro de Will Smith e à Arlequina de Margot Robbie. Ele confere certa seriedade e carisma a seu vilão não tão mal assim, enquanto que ela imprime muita simpatia, humor (quase) sempre bem colocado e um comportamento ingenuamente louco. E loucura imediatamente nos faz lembrar… do mais famoso, mais icônico, mais cultuado e mais assustadoramente antagônico vilão não só dos quadrinhos, mas também de toda a história do cinema. O que só aumenta nossa decepção ao ver em cena o Coringa de Jared Leto. Não bastassem a caracterização e a interpretação inadequadas, as intervenções do vilão durante o longa – condicionadas unicamente à sua relação com a Arlequina – o tornam praticamente um penetra na trama principal, da qual ele não faz parte, além de comprometerem ainda mais a fluidez da já frágil narrativa. Repare que, sempre que ele entra em cena, pensamos que vai fazer algo insanamente psicótico, quando, na verdade, não faz quase nada… Muito desse desapontamento se deve ao nível de admiração que o vilão (merecidamente) ganhou ao longo dos anos. As perguntas que mais se ouviam sobre este filme eram: “Como será o novo Coringa? O que ele vai aprontar dessa vez?” Logo, é lamentável que o que se veja na tela tenha ficado tão aquém do esperado, com o maior vilão do Batman reduzido apenas a uma muleta para a trama da Arlequina, em uma releitura nem um pouco inspirada do Palhaço do Crime. O Coringa não serve para ser coadjuvante!

05Outras figuras se mostram até interessantes, como o meta-humano El Diablo (Jay Hernandez), receoso em usar todo o potencial de seu poder de fogo (literalmente), o Capitão Bumerangue (Jai Courtney), com visual à la Dentes de Sabre (notou a semelhança?) e bom timing cômico, e o monstruoso (no bom sentido) Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) com uma pesada, porém competente, maquiagem. Quanto aos demais personagens do ‘núcleo central’, Amarra, Katana e, principalmente, Magia, digamos que são… risíveis (no mau sentido). Em meio a tiroteios triviais e perseguições preguiçosas, há, ao menos, a curiosa participação do Batman/Bruce Wayne (Ben Affleck), com direito até a uma cena ‘governamental’ no melhor estilo Nick Fury! Há ainda um outro herói que, se você se distrair por um instante, poderá perder a sua participação, tamanha é a rapidez com que aparece, como num Flash! Ah, e contradizendo seus próprios ‘princípios’, a DC resolveu aderir de vez às tão populares cenas pós-créditos, adicionando uma nesta produção pela qual o público aguardava com enorme expectativa, potencializada pelos ótimos trailers recheados de belas canções desde o primeiro, com o acréscimo de cores gritantes e bom humor nos últimos. O departamento de marketing fez a sua parte. É uma pena, portanto, que, no fim dessa espera, tenhamos assistido a mais um longa irregular na proposta da DC de ir adiante com seu Universo Estendido nos cinemas. A inclusão de cenas mais engraçadas no lugar de outras mais sérias e a escolha por uma identidade visual mais Pop, neste caso, não bastaram. Faltaram alguns itens essenciais para todo bom filme: roteiro e edição. A impressão que dá é que, em certo momento, ele também ficou sem direção (nos dois sentidos).

06Os próximos projetos da DC estão aí, para ganharem as telonas no ano que vem, Mulher-Maravilha e Liga da Justiça, cuja pressão para fazerem sucesso só irá aumentar, para desespero crescente dos executivos. Mas, tenhamos calma, a Warner/DC ainda está arrumando a casa. Se uma dose de ‘marvelização’ fizer bem às produções da sua maior concorrente, por que não? Se a ideia inicial de realizar longas-metragens com toda uma ambientação dark não deu muito certo, então, que eles fiquem mais leves! Depois de Batman Vs Superman, ficou evidente o que o público quer ver em filmes de super-heróis, além, é claro, de uma boa história: eles precisam ser divertidos. O humor que faltou em BvS está em Esquadrão Suicida que, por sua vez, carece de coerência. Fica a nossa torcida para que a DC consiga, afinal, se acertar, que eles cheguem lá, e conquistem o merecido sucesso.

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Em Julho do ano passado saiu o primeiro trailer deste filme, veja:

Compare com o último trailer, lançado em Julho deste ano, e perceba a diferença no tom: